A OCUPAÇÃO SIONISTA DO TERRITÓRIO PALESTINO: COLONIZAÇÃO, TERROR E APAGAMENTO DA IDENTIDADE PALESTINA

por | out 20, 2025 | palestina | 1 Comentário

José Ricardo Machado, bacharel em Direito, Mestre e Doutorando em Educação, e militante do Núcleo Palestina do PT.

Introdução

Em 07 de outubro de 2023 forças israelenses iniciaram ofensivas contra o território palestino, sob o pretexto de responder a ataques do grupo de resistência armada palestino Hamas, que teriam vitimado centenas de participantes de um festival de música que ocorria próximo à fronteira com a Faixa de Gaza[1]. A partir de então, e até recentemente[2], verdadeira carnificina vem sendo promovida pelo poderoso exército israelense, sob a alegação da necessidade de exterminar o grupo de resistência palestino. Seis meses após o início dos ataques, a contabilidade do massacre já apontava um total de 32.916 civis abatidos em Gaza e outros 456 na Cisjordânia, território administrado pela Autoridade Palestina. O número de feridos passava então, naquela ocasião, de 75 mil em Gaza e somava 4.650 na Cisjordânia, além de quase 8 mil civis que haviam sido feitos prisioneiros. O número mais perturbador, no entanto, era – e ainda é – o de crianças vitimadas pelos ataques, quando foram registradas mais de 13 mil atingidas por bombardeios israelenses ou em ataques terrestres das forças de Netanyahu contra o povo palestino, isso sem falar nos hospitais e escolas que simplesmente desapareceram durante as investidas de Israel contra a população de Gaza.

No entanto, ao contrário do que muitos(as) acreditam, o domínio e o massacre contra a população de Gaza não têm origem naquele 07 de outubro de 2023, e muito menos os ataques de Israel têm como pano de fundo o simples combate a um “grupo terrorista” que vitimou civis israelenses. Há pelo menos 77 anos, Israel impõe àquele povo uma série de restrições e impedimentos para a sua permanência no território que, historicamente, já era habitado pelos palestinos, muito antes da criação do Estado de Israel em 1948, com voto favorável, inclusive, do governo brasileiro, à época sob administração do Marechal Dutra.

Assim, esse artigo pretende discutir e expor as verdadeiras razões para a “guerra” sionista contra a frágil resistência palestina, a partir dos contextos de colonização e diáspora a que foram submetidos suas famílias, bem como suas lutas para se manterem em seu local de origem e enfrentar o Estado de Israel, que iniciava sua dominação sob o argumento de defender suas colônias, impondo sua autoridade pelo medo e pela restrição de liberdades políticas, a dificuldade de acesso da população palestina a direitos básicos como moradia, saúde e educação, e a tentativa de apagamento de sua identidade.

1 Colonização sionista e resistência palestina: trabalhadores, camponeses e intelectuais

O plano de ocupação do território palestino pelos judeus começou a ser elaborado muito tempo antes da criação do Estado de Israel, já a partir do desenvolvimento do conceito de sionismo criado por Theodor Herzl[3], sob a ideia de “transferência”, que Masalha define como um “eufemismo” para a remoção da população palestina para países vizinhos. A estratégia de transferir a população para estabelecer ali um Estado judeu compreendia esforços de colonização, por meio da aquisição de terras e a transformação demográfica do território, como uma evolução lógica dos objetivos sionistas de colonização e aquisição de terras para a criação de um Estado genuinamente judeu, através de uma profunda transformação étnica, religiosa e demográfica de um país majoritariamente árabe (Masalha, 2021).

O conceito e os planos de transferência propostos pelos comitês sionistas foram incorporados por várias vertentes, tanto as da direita de viés revisionista, ou mesmo setores da esquerda trabalhista, e tratavam, tais planos, de “resolver a questão árabe”, ou seja, promover a expulsão dos palestinos do território onde se instalaria o novo Estado. No entanto havia, no início do sionismo, o pensamento de que a terra palestina não tinha habitantes ou mesmo um povo digno de atenção, segundo o pensamento supremacista europeu dominante à época (Masalha), teoria bastante controversa quando se pensa nos esforços de transferência forçada promovidos pelo sionismo, pois, se não há povo, quem então seria transferido?

Em uma pesquisa mais recente, Masalha nomeia os anseios de ocupação da terra e a transferência forçada de seu povo como “colonialismo de povoamento sionista”, descrevendo-o como uma estrutura, e não apenas um episódio do colonialismo britânico, que ignora a existência dos povos originários e lhes nega seus direitos, com o objetivo de enxergar esse território como terra nullius, expressão romana usada para caracterizar a região como uma terra sem dono, cuja soberania, segundo tal lógica, só seria adquirida com uma política de ocupação e de transferência colonial.

Para o historiador e ex-professor de Estudos Islâmicos da Universidade de Londres Daud Abdullah (2022), três requisitos contribuíram para a emergência de Israel como um Estado unicamente judeu: 1) a necessidade de um Estado para todos os judeus do mundo; 2) a obrigação de formar uma população de maioria judaica no território que seria ocupado e; 3) a garantia de que os judeus se beneficiariam de privilégios e direitos de preferência. Para isso, ainda segundo Abdullah, as potências coloniais europeias iniciaram um processo de desumanização e depreciação dos modos e comportamentos palestinos em comparação aos europeus mais “civilizados”, o que, segundo essa lógica, demonstraria o atraso cultural atribuído aos palestinos e poderia, então, justificar a remoção ou “transferência” da população, tão almejada pelos planos sionistas.

Assim, motivados por esse espírito colonialista, que considera um território habitado como “terra de ninguém”, e apoiados pelo comprometimento de grandes potências ocidentais, os sionistas empreenderam seu projeto colonialista, repressor e terrorista contra a população palestina, já a partir do primeiro Congresso Sionista, em 1897, sem qualquer menção ao fato de que a terra já era habitada: o objetivo principal do movimento sionista era estabelecer um lar legalmente seguro para os judeus nas terras palestinas (Masalha, 2021).

Ghassan Kanafani, escritor e revolucionário palestino, também traz uma contribuição importante para o debate e a compreensão do cenário de colonização sionista, incluindo nessa reflexão as perspectivas de trabalhadores, camponeses e intelectuais palestinos, que tiveram suas vidas transformadas pelas lutas de resistência em favor da liberdade do povo da Palestina. Segundo Kanafani, a imigração judaica teve implicação direta nas questões econômicas dos árabes habitantes da Palestina, os quais foram diretamente afetados, principalmente os pequenos e médios proprietários rurais e os trabalhadores de setores da pequena e média burguesia palestina, atribuindo não só a estes fatores, mas também ao “[..] caráter nacional e religioso dado à imigração judaica”, o agravamento desses reflexos econômicos (Kanafani, 2015).

Kanafani atribui ainda a um certo “capitalismo democrático” a responsabilidade pela imigração judaica, em colaboração com o movimento sionista, destinada não apenas a concentrar o capital judaico-europeu na Palestina, mas, da mesma forma, com o objetivo de viabilizar o esforço de industrialização do território com a presença de um proletariado judeu:

[…] Em 1935, por exemplo, os judeus controlavam 872 de um total de 1.212 estabelecimentos industriais na Palestina, empregando 13.678 trabalhadores, enquanto os demais eram controlados por árabes-palestinos e empregavam 4 mil trabalhadores. O investimento industrial judaico totalizava PL[4] 4,391 milhões, ante 704 mil dos árabes-palestinos. A produção das empresas judaicas atingia PL 6 milhões, contra PL 1,545 milhão das árabes-palestinas. Além disso, o capital judeu controlava 90% das concessões do governo do mandato britânico, equivalentes a um investimento total de PL 5,789 milhões e 2.619 empregos […] (Kanafani, 2015, p. 33).

As áreas rurais foram outra frente de conflito entre as comunidades judaica e árabe na Palestina, carregando um espírito ainda mais nacionalista, em razão do capital judeu que prejudicava seriamente o status da população rural árabe-palestina no território. De acordo com Kanafani, “[…] a propriedade de terras urbanas e rurais por grupos judeus elevou-se de 300 mil dunums[5] em 1929 para 1,250 milhão de dunums em 1930” (p. 43), embora o escritor mesmo afirme, mais adiante, a pouca significância das terras adquiridas para os objetivos de colonização maciça e de solução da “questão judaica”, destacando, porém, “[…] o severo empobrecimento dos camponeses e beduínos árabes”, em razão da expropriação de quase um terço das terras cultiváveis (Kanafani, 2015, p. 44).

No entanto, as constantes pressões a que estavam expostos os pequenos camponeses árabes-palestinos, ora sob os perigos de invasões sionistas, ora com relação à questão da propriedade feudal árabe das terras, ou ainda sofrendo sob os pesados impostos cobrados pelo governo do mandato britânico, nada disso afastava as massas camponesas da consciência que deviam ter sobre os desafios nacionais, levando-os a negociar suas terras com os latifundiários, a fim de obter armas para a resistência ao mandato do império britânico e à invasão sionista (Kanafani, 2015).

Sobre esse aspecto, em sua apresentação da obra de Kanafani, a ativista, jornalista palestina-brasileira e Mestre em Língua, Literatura e Cultura Árabe, Soraya Misleh, comenta acerca dos efeitos da colonização sionista ao expulsar camponeses e boicotar a comercialização de produtos árabes-palestinos, ações que foram decisivas no sentido de ampliar a carestia, o desemprego e a opressão sobre o povo palestino, que não viu outra saída a não ser a resistência:

[…] Dessa forma começou a revolução. Formaram-se comitês nacionais palestinos em todas as vilas e cidades, e os cinco partidos locais compuseram o Alto Comissariado Árabe, liderado por Haj Amin al-Husseini, o Mufti de Jerusalém, que convocou uma conferência naquela cidade a qual chamou uma greve geral e a recusa de pagar impostos. Frente à pressão britânica, os palestinos rapidamente passaram às ações armadas […] (Misleh, Soraya, 2014, IN Kanafani, Ghassan, 2015).

Por fim, não há dúvida da importância dos intelectuais palestinos nas lutas de resistência contra a entidade invasora sionista e o mandato britânico, ainda que, segundo Kanafani, estes não fossem liderados ou mobilizados em sua militância por um algum partido revolucionário: esses intelectuais tinham posições únicas e claras, pois estavam conscientes da incapacidade de seus pares em liderar uma luta nacional; porém, da mesma forma, sentiam-se fragilizados pela impossibilidade de sua participação efetiva no desenvolvimento industrial que também os beneficiaria, uma vez que tal processo era controlado por uma comunidade estranha e hostil.

Apesar dessa incapacidade, que dificultava aos escritores e poetas palestinos usufruir de uma liderança na luta nacional palestina, esses intelectuais buscaram uma superação daquele estado de submissão característico das massas de camponeses, para disseminar entre essa população alguma consciência de viés progressista e de resistência (Kanafani). Entre os intelectuais de destaque, o poeta libanês Wadi al-Bustani[6] alertava para os perigos da chamada Declaração Balfour[7], tendo sido então convocado pelo Ministério Público para se explicar sobre uma canção composta por ele, na qual incitava cristãos e muçulmanos a matarem “[…] os judeus e os infiéis”, ao que teria respondido, de forma sarcástica, em sua defesa: “[…] Não. Isso viola a métrica e a rima. Eu não poderia ter dito isso. O que eu disse tinha tanto rima quanto métrica. Chama-se poesia” (Kanafani, 2015, p. 58).

Ainda outros nomes da literatura palestina tornaram-se ícones importantes nessa onda de poetas e intelectuais nacionalistas, porque incitavam e agitavam as massas palestinas com suas consciências revolucionárias, tais como Tuqan[8], al-Karmi[9] e Mahmud[10], cujos trabalhos denotam uma grande percepção dos acontecimentos, o que só pode ser explicado, segundo Kanafani “[…] pela profunda compreensão do que fervia nos círculos de massas” (2015, p. 59).

Portanto, esse era o quadro da sociedade palestina antes e durante o processo de colonização e expulsão da população para dar lugar a um “lar judeu” no território, a partir do conceito bíblico de “terra prometida” e da noção de que havia “uma terra sem povo para um povo sem terra”, que justificariam a remoção forçada e o êxodo de famílias inteiras para países estrangeiros. Contudo, aqueles que resistiram, presenciaram o crescimento do terror imposto pelo Estado de Israel, subjugando, apartando, restringindo direitos e reduzindo a população resistente a condições indignas de existência, condenando-a a uma vida precária e de incertezas sobre seu futuro.

2 Os dias de terror: diáspora, massacres e necropolíticas de dominação

A ideia de um êxodo forçado demonstra uma prática terrorista que desequilibra a segurança de um povo histórica e legitimamente ligado à terra onde constituiu sua família, criou laços afetivos e continuou o legado de seus antepassados. Essa relação com a terra e com suas origens transforma as nações, segundo Stuart Hall (2013), não apenas em entidades políticas soberanas, mas, muito mais que isso, em “comunidades imaginadas”, pois os povos aí instalados produzem cultura e arte, colocando sempre em jogo esses “sujeitos imaginados” pertencentes a essas nações.

Hall faz um importante questionamento acerca da relação com a terra de origem e a natureza desse pertencimento, quando analisa os critérios de começo e término das fronteiras territoriais, indagando quais proximidades históricas e culturais existem entre essas fronteiras e como podemos pensar hoje o conceito de identidade e pertencimento à terra à luz da experiência da diáspora. Naquele contexto, Hall tratou especificamente da situação de imigrantes caribenhos que viviam no Reino Unido, nos Estados Unidos ou no Canadá, porém sua fala pode ser também analisada a partir das experiências da população palestina de transferência forçada e expulsão de suas terras pelo projeto de colonização sionista, uma vez que o povo palestino tem, da mesma forma, essa noção do pertencimento ao seu local de origem, o que lhe garante uma identidade nacional característica e que não deve ser simplesmente apagada pela “justificativa” de dar lugar a um outro povo que é apenas motivado pela promessa inscrita em seus documentos religiosos que ignoram a presença milenar palestina, atestada por estudos de renomados arqueólogos e pesquisadores do assunto.

Portanto, o período de terror a que foi submetida a população palestina iniciou-se já antes, durante e após a aprovação da criação do Estado de Israel, em 1948, quando 750 mil palestinos e palestinas, ou seja, 80% da população árabe habitante da Palestina, tomaram o caminho do exílio, fato que foi considerado por Chaim Weizmann, primeiro Presidente do Estado de Israel como “[…] uma milagrosa desocupação da terra: a simplificação milagrosa da tarefa de Israel” (Masalha, 2021, p. 157). Tal quadro permitiria a instalação de uma maioria judaica nas terras palestinas, para a concretização da criação do novo país hebreu.

 No entanto, mesmo com essa perspectiva de uma maioria de judeus que passariam a formar o novo Estado, Ben Gurion ainda se mostrava insatisfeito e disposto a negar a cidadania israelense aos árabes que a solicitassem, alegando que, em caso de hostilidades, o Estado não conseguiria nada mais além do que aprisionar os supostos rebeldes, e portanto, melhor seria se os árabes vivessem no recém-criado Estado sob a condição de manter apenas a sua própria cidadania. Além disso, a composição inicial, que incluía aproximadamente um milhão de judeus e quase 40% de não judeus, ainda assim não garantiria uma base estável ao Estado judeu, na avaliação de Ben Gurion, e portanto, nessa realidade, não existiria um Estado judeu poderoso se a maioria judaica não fosse superior a 60% (Masalha).

Em 1947, com a aprovação da Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, endossando a partilha do território palestino em dois estados, um árabe-palestino e outro judeu, e definindo Belém e Jerusalém como territórios internacionais, já se viam sinais do êxodo forçado e planejado pelos sionistas. Essa teria sido, segundo a Doutora em História Arlene Clemesha, a primeira fase dos conflitos envolvendo árabes e palestinos, quando milícias sionistas como Haganá, Irgun e Stern enfrentaram alguns poucos combatentes e voluntários palestinos, provocando a queda de diversas cidades e vilarejos. Moradores das cidades de Jaffa e Haifa foram expulsos e suas propriedades foram confiscadas (Clemesha, 2009).

O evento conhecido como “Nakba” (النكبة), a catástrofe, pode ser considerado, portanto, o marco do sucesso do projeto de expansão e colonização sionista, ao provocar, de imediato, o êxodo forçado de quase 800 mil palestinos e a consequente invasão de colonos sionistas às terras deixadas involuntariamente pela população. A tragédia ainda assinalou, segundo Rashid Khalid, “[…] não apenas o nascimento do Estado de Israel, mas também a derrota definitiva dos palestinos pelos seus inimigos sionistas, após décadas de luta resistindo ao controle sionista do país” (Khalid, 2007, apud Clemesha, 2009).

Ao mesmo tempo, o surgimento desse Estado que se pretendia puramente judeu pode ser visto também como o início das necropolíticas de dominação, apartheid e limpeza étnica impostas à população resistente, elementos pelos quais Theodor Herzl, idealizador do conceito de sionismo, já tentava justificar a expulsão da população considerada por ele miserável, para além das fronteiras do que viria a ser o território de Israel, negando aos palestinos qualquer emprego no novo Estado, e afirmando que o processo de expropriação e a consequente retirada dos pobres deveria ser executada de forma “discreta e circunspecta” (Clemesha, 2009). Era, portanto, segundo Clemesha, a implementação do projeto sionista de exclusão gradual da mão de obra árabe palestina, através de mecanismos de “conquista da terra” – processo de aquisição de terras e esvaziamento dos chamados fellahin (camponeses) –, e “conquista do trabalho”, com a criação de postos de trabalho exclusivos para judeus.

Assim, através da elaboração do chamado Plano D (Dalet, em hebraico), ainda antes de abril de 1948, deu-se início à limpeza étnica da população originária do território, por meio da desocupação forçada das casas e dos terrenos, intimidações, bombardeios em larga escala a vilarejos e núcleos populacionais, demolição de casas e a instalação de minas para impedir o retorno dos proprietários, bem como a divulgação de listas que indicariam os bairros e os vilarejos que seriam os alvos das buscas. Ilan Pappé ainda vai afirmar, em sua análise sobre a limpeza étnica da Palestina, que esse plano “[…] dizia clara e inconfundivelmente: os palestinos têm que ir” (Pappé, 2006, apud Clemesha, 2009, p. 9).

Conforme nos conta Masalha em sua obra de 2021, Ben Gurion teria comentado sobre o “sucesso” do Plano Dalet, ao apreciar o esvaziamento das aldeias da Galileia: discursando ao chamado “Comitê de Ações Sionistas, em abril de 1948, ele declarou que a vitória na guerra não seria possível sem o povoamento de regiões como a Galileia, o Negev e Jerusalém, e apostou em uma significativa mudança na distribuição das populações árabes no território, a partir da eficácia dessa política de deslocamento dos habitantes das terras. Era, portanto, a crença de que os objetivos políticos da dominação sionista estavam sendo atingidos, e a certeza depositada na necessidade da “transferência” da população árabe como política oficial judaica.

Logo após a instalação do Estado Sionista, portanto em maio de 1948, ocorreu o massacre de cerca de 200 homens moradores de um vilarejo palestino, fuzilados mesmo depois de se renderem às forças da Haganá. A justificativa para o massacre, segundo depoimentos de sobreviventes no vilarejo, teria sido a morte de 8 soldados israelenses por atiradores palestinos, após a invasão das tropas da Haganá e a consequente rendição dos moradores. Houve ainda cerca de outras 100 mortes, motivadas por denúncias de armamentos escondidos nas casas do vilarejo, os quais não se sabia se pertenciam a algum morador ou aos voluntários árabes que estavam apoiando os rebeldes (Clemesha), dúvidas que não fizeram nenhuma diferença no destino daquelas 100 pessoas vitimadas.

Na sequência, em 1949, Israel já havia expandido suas fronteiras em 78% da Palestina histórica, levando a população palestina a viver sob a tutela de variados regimes, enquanto eram privados de suas propriedades e perdiam o controle de vários aspectos de suas vidas; segundo Clemesha (2009), aproximadamente entre 400, de 500 vilarejos, e 11 bairros urbanos teriam sido completamente destruídos em Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. Com o abandono forçado de suas casas e terras, os palestinos deixaram também para trás “[…] fazendas, negócios vários, contas em bancos, igrejas e mesquitas, cemitérios – para não mencionar as fazendas e o equipamento agrícola” (Clemesha, 2009, p. 11), para dar lugar a novos imigrantes judeus, grande parte deles vindos da Europa, sobreviventes do holocausto nazista, e outros tantos originários de países árabes que se opunham à criação do Estado de Israel, e que por isso eram rejeitados naqueles países.

Como complemento da política de expulsão do povo palestino de seu território para instalar ali um povo estrangeiro – sim, porque boa parte dos judeus sionistas vinha da Europa –, apenas pela justificativa de um suposto “direito messiânico” à propriedade daquela região, surgiram grupos paramilitares formados por colonos sionistas com o objetivo de aterrorizar os camponeses palestinos, através da prática de inúmeros crimes, como o massacre de Deir Yassin, em 1948, ocorrido entre 9 e 11 de abril, portanto, já às portas do fim do Mandato Britânico na região e da criação do Estado de Israel[11]. Comandados por Ariel Sharon[12] e Menahem Begin[13] (Ishibashi, 2009), esses grupos teriam vitimado cerca de 120 palestinos desarmados, durante e talvez após a invasão da armada judaica que conseguiu furar o cerco a Jerusalém durante a guerra civil daquele ano.

Seguindo, portanto, sua política de expansão colonialista a partir de práticas terroristas, o Estado sionista concentrou seus esforços na judaização dos territórios ocupados, promovendo o confisco de 86% da cidade de Jerusalém e permitindo o assentamento de 220 mil judeus em Jerusalém Oriental, onde está localizada a Mesquita de Al-Aqsa, na tentativa de isolar o Templo e afastar de seus arredores as populações árabes e palestinas. Na sequência, sitiou o Muro Oriental da Mesquita, destruindo e expropriando terras no bairro de Mughrabi. Em agosto de 1969, um incêndio criminoso atingiu a Mesquita de Al-Aqsa, até então o ataque mais brutal cometido pelo Estado invasor contra um símbolo religioso para árabes e palestinos.

Todos esses fatos, somados à limpeza étnica implementada desde o início pelos sionistas e que está em curso ainda hoje no recente massacre promovido pelo Estado de Israel contra a população palestina, e compostos também por várias outras histórias de combates das forças de resistência contra o aparato imperialista, tudo isso, portanto, formou o cenário de caos, medo, terror e dominação a que vem sendo submetido o povo palestino há 77 anos. Porém, ainda um elemento muito importante deve ser analisado da mesma maneira, pois significa o desejo das forças de ocupação de eliminar todo e qualquer registro da presença e da história palestina como a conhecemos: a tentativa de apagamento da identidade do povo palestino.

3 A identidade cultural palestina e as tentativas de eliminação de suas memórias e de sua nacionalidade

A identidade cultural de um povo é a característica que define sua soberania, sua independência e sua influência global no comportamento de outros povos; é a essência da unidade de um determinado país, de uma determinada comunidade, capaz de torná-lo uma unidade indivisível, mesmo quando invadido e dominado por outra nação que tenta lhe impor comportamentos, culturas e idiomas estranhos. Tal identidade permite a resistência e a insubordinação necessárias à manutenção da memória e da história de um povo, impedindo seu completo apagamento e projetando a certeza de um recomeço a partir da insistência em cultivar gestos, práticas, histórias e ancestralidades contra o terrorismo de Estado do colonizador.

Sobre terrorismo de Estado, Henry Giroux (2024) afirma que este não é apenas o conflito violento marcado pelo uso da força bélica nas operações militares, mas também o extermínio de toda e qualquer dissidência ou oposição críticas, o que na sua visão, envolve ainda, no caso da Palestina, políticas desumanas contra a população. Mas pode ser muito mais que isso, como afirma ainda o mesmo autor, significando uma “[…] guerra ideológica que inclui censura, difamação e destruição”. É, portanto, o uso sistemático e continuado de violência ou ameaças promovidas por determinado governo ou Estado, que inclui elementos como repressão política, tortura, desaparecimentos forçados e permanentes ataques à população civil, cujas consequências podem ser violações de direitos humanos e desestabilização política, bem como a destruição e o apagamento das identidades culturais e da memória popular.

De acordo com Vera França e Chloé Leurquin (2024), as questões identitárias estruturam a sociedade em suas relações com diferentes grupos étnicos e nações, tornando-os capazes de explorar a natureza do conceito de identidade. Ainda segundo as autoras, tal conceito é baseado em uma dupla natureza, de características tanto simbólicas quanto de viés pragmático ou comportamental: são, portanto, por um lado, representações que orientam formas de inserção social, estabelecendo valores e lugares aos indivíduos pertencentes às coletividades; de outro lado, de maneira um tanto semelhante, o conceito também pode referir-se aos mesmos lugares e às suas práticas comportamentais.

Soraya Misleh afirma que a identidade palestina é um conceito inscrito na Carta de Princípios da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de 1968, onde reiteradamente ao longo do texto se lê “nós, o povo palestino”. Ali, portanto, segundo ela, se desenvolve a noção de transferência de nacionalidade, dentro da realidade árabe: toda criança que nasceu de pai palestino antes ou depois da Nakba, dentro ou fora de sua terra de origem (artigo 6º da Carta de Princípios), demonstrando, claramente, que essa identidade está vinculada à ancestralidade, a uma relação de pai e filho. Assim, conclui a escritora e doutora em Estudos Árabes da Universidade de São Paulo, é possível compreender por que muitos palestinos nascidos no Brasil se afirmam nessa condição quando questionados sobre sua nacionalidade, a exemplo dela mesma, que se apresenta como palestino-brasileira.

Evidentemente, o primeiro e mais significativo ato de apagamento da identidade do povo palestino foi o momento da invasão de colonos judeus às terras já habitadas pelos palestinos, como consequência da criação do Estado de Israel, em maio de 1948. Naquela ocasião, mais de 700 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e suas terras e iniciar um doloroso processo de diáspora, na tentativa de preservarem suas vidas e suas histórias. Atualmente, a política nefasta de Netanyahu continua provocando a catástrofe palestina e destinando a população ao exílio e ao abandono de seus lares, em uma contínua e incessante Nakba, que carrega em sua essência a tentativa de apagamento da história e da identidade palestinas.

Giroux (2024) destaca as impressões de Judith Butler, para quem as ações do governo israelense contra a população de Gaza podem ser encaradas como “[…] política de extermínio característica de uma necropolítica” (Giroux, 2024, p. 3). Como sabemos, a partir da valiosa contribuição de Achille Mbembe (2018), necropolítica é essa capacidade daqueles que detém o poder – mais precisamente o “biopoder” – de deixar viver ou deixar morrer, através de uma condição de soberania, exercendo controle e definindo a vida, como forma de implantar e manifestar seu poder:

[…] A guerra, afinal, é tanto um meio de alcançar a soberania como uma forma de exercer o direito de matar. Se consideramos a política uma forma de guerra, devemos perguntar: que lugar é dado à vida, à morte e ao corpo humano (em especial o corpo ferido ou massacrado)? Como eles estão inscritos na ordem do poder? […] (Mbembe, 2018, p. 6).

Porém, tão marcante e simbólico quanto a política de segregação e deslocamento forçado a que foram submetidas várias gerações de palestinos e palestinas, principalmente após 1948, tem sido a contínua “[…] destruição sistemática de toda a infraestrutura intelectual, cultural e cívica” (Giroux, 2018) da população ainda resistente em Gaza e nos demais territórios ocupados pelo governo autoritário israelense. Esse ataque à cultura e à intelectualidade tem como objetivo apagar total e permanentemente toda a história e identidade cultural da Palestina, por meio de uma agenda ideológica que ataca, principalmente, a educação e a capacidade crítica dos resistentes, para impedir a denúncia e a exposição de toda essa violência. A esse movimento Giroux dá o nome de Escolasticídio, uma forma de silenciar dissidências e apagar memórias, através de ataques à educação e à cultura palestinas.

Segundo Giroux, o Escolasticídio tem como característica a “[…] guerra concreta e ideológica contra a educação e a cultura em Gaza”, com o objetivo de apagar fatos históricos como a Nakba e impor uma espécie de “amnésia histórica” sobre a resistência da população palestina, que há décadas luta contra a violência do colonialismo israelense.

Existe ainda um fator, tão importante quanto esse conceito trazido por Giroux, que denota essas tentativas frequentes de apagar a cultura, a educação e a história palestinas, já presente no intrincado processo de eliminação sistemática e êxodo forçado da população propostos desde antes da criação do Estado judeu: a ideia de que os palestinos não existem como povo, de que seriam um “povo inventado”, nas palavras da ex-Primeira-Ministra de Israel Golda Meir, transcritas por França e Leurquin (2024), a partir das entrevistas concedidas por Golda aos jornais Sunday Times e The Washington Post, em 1969, que vale também expormos aqui:

[…] Não há algo assim como palestinos. Não é como se houvesse um povo palestino na Palestina considerando a si mesmo como um povo e nós viéssemos, os jogássemos fora e tomássemos deles o seu país. Eles não existem e têm, em Arafat, nascido no Egito, o seu líder […] (Meir, 1969, apud França e Leurquin, 2024).

Ainda em 1906, portanto, muito tempo antes da catástrofe da criação do Estado sionista, o território da Palestina contava com pouco mais de 700 mil habitantes, e chegou a ter 1,1 milhão de pessoas vivendo na região em 1948. E como também mencionamos no início deste artigo, o nome Palestina já era usado há pelo menos 3.200 anos, e assim permaneceu desde o ano 450 a.C até 1948, quando o território passou a se chamar Estado de Israel. Portanto, nada mais equivocado e, ao mesmo tempo, milimetricamente pensado para deslegitimar a resistência cultural de um povo do que negar sua existência, considerando-o apenas um aglomerado de pessoas sem identidade alguma com a terra de origem.

A identidade cultural e histórica do povo palestino é vista pelo governo israelense, mais precisamente por Netanyahu, como uma espécie de “[…] fotografia indesejada nas mídias sociais”, nas palavras de Sarmad Ishfaq, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Wollongong, em Dubai, e articulista do Monitor do Oriente, periódico responsável por transmitir fatos e informações atualizadas sobre os países do Oriente Médio. Sarmad chama a isso de “Memoricídio”, termo criado, segundo ele, pelo escritor e cientista croata Miro Grmek, e popularizado pelo historiador Ilan Pappé. Trata-se, de acordo com a afirmação de Ishfaq, de um mecanismo utilizado para promover a destruição sistemática de monumentos, propriedades, templos religiosos, escolas, residências etc, com o objetivo de apagar a história dos antigos habitantes. Assim, sobressai-se a cultura do opressor, que impõe ao povo oprimido o desaparecimento de sua memória e sua história.

Considerações Finais

O genocídio em curso contra a população palestina, que permite, inclusive, a extinção de milhares de crianças, é talvez um dos maiores crimes praticados contra um povo na história recente da civilização. Porém, na mesma medida desses dados alarmantes, a contabilidade dessa guerra desproporcional revelou também ao mundo os verdadeiros interesses do império sionista na região, cujas pretensões não são simplesmente a eliminação de um grupo de resistência armado. Há muito mais em jogo, existem muitos outros fatores que impulsionam essa verdadeira carnificina promovida pelo governo de Netanyahu, e que têm sua origem antes mesmo da criação do Estado judeu em 1948.

Porém, não é compreensível que após 2 anos de massacres, destruição e mortes de mulheres e crianças inocentes, sigamos ainda convencidos de que se trata apenas de uma guerra contra o terror, simplesmente como resposta a um ataque ocorrido naquele 07 de outubro de 2023, e que a motivação permaneça a mesma. Por várias vezes Netanyahu e seus generais declararam a intenção de aniquilar Gaza e sua população, para tomar completamente o território e permitir a instalação de novos colonos na região. Chegou a navegar na proposta surreal de Donald Trump de transformar Gaza em um resort de luxo, numa clara demonstração de desprezo pelas vidas perdidas e pela população que ainda resiste no território. Só após muita pressão de organismos internacionais é que o governo israelense permitiu a entrada de ajuda humanitária levando suprimentos à faminta população palestina.

Como tratamos no início desse artigo, a intenção de invadir e tomar posse das terras palestinas, transferindo sua população e instalando colonos judeus em seu lugar já vinha sendo trabalhada desde o início do Mandato Britânico, aliada à concepção do pensamento sionista que via o território palestino como terra prometida por Deus, da qual os judeus seriam os únicos e legítimos herdeiros: “uma terra sem povo, para um povo sem terra” era a máxima que norteava os sonhos de retorno de inúmeros judeus vindos especialmente da Europa.

No entanto, o Estado sionista continua a cometer crimes contra a humanidade e a praticar apartheid por meio da repressão e da perseguição à população palestina. Em julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) concluiu que a presença de Israel no território palestino é ilegal, pois viola flagrantemente a proibição de apartheid; da mesma forma, o relatório afirma que Israel precisa evacuar e desmantelar todos os assentamentos, além da obrigação de indenizar os palestinos e permitir o retorno de palestinos deslocados após 1967. Como reflexos internacionais, o documento ainda sugere que outros governos cessem qualquer reconhecimento, comércio ou investimento em assentamentos e que unam esforços para acabar com a situação ilegal no território ocupado.

Assim, entendemos que o governo brasileiro vem se posicionando corretamente quando classifica como genocídio as ações do exército israelense nos territórios ocupados e por isso paga um alto preço político, tanto em âmbito doméstico como diante da comunidade internacional, que classificou a posição do Brasil como falta de “equilíbrio e moderação”, influenciada por “narrativas falsas”, já que, segundo a representação diplomática israelense no Brasil, a declaração do governo brasileiro “ ignorou completamente o papel do Hamas em Gaza”, pois, segundo a nota da Embaixada de Israel, o grupo de resistência armado influencia negativamente nos processos de distribuição de ajuda humanitária à população palestina e nos acordos de cessar-fogo.

A lembrança dos dois anos de genocídio, completados no último dia 07 de outubro de 2025, serve para nos alertar que a comunidade internacional continua ignorando os sinais da tentativa de apagamento e destruição da Palestina capitaneada pelo Estado sionista. Apoiado pelos Estados Unidos, mas também com a anuência de países da União Europeia, Israel segue na sua proposta de limpeza étnica e controle total dos territórios de Gaza e da Cisjordânia, sob a justificativa de combater o Movimento de Resistência Islâmica, conhecido como Hamas. Cabe a nós, como sociedade, sob os princípios da democracia e da soberania das nações, lutarmos para que a recente proposta de cessar-fogo definitivo iniciada em fins de setembro de 2025, possa dar novo alento e traga a promessa de novos tempos para a sofrida população de Gaza, longe das sombras da dominação de qualquer autoridade estrangeira, mas que garanta ao povo palestino a possibilidade de ele mesmo tomar as rédeas do seu destino, para viver em paz numa terra que seja exclusivamente sua e para onde possam retornar suas famílias e reviver, em plena liberdade, seus dias de paz e prosperidade.

Referências

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CLEMESHA, Arlene. Da ideia de transferência à realização da limpeza étnica: contribuições da nova historiografia israelense e palestina. IN Revista PUCViva, jan-abr de 2009, ano 10, nº 34, p. 6-12.

FRANÇA, Vera e LEURQUIN, Chloé. A guerra de Gaza e o discurso de não identidade palestina. IN Revista Esferas, ano 14, vol.3, nº 31, setembro/dezembro de 2024.

GIROUX, Henry Armand. Escolasticídio: silenciamento da dissidência e apagamento da memória na guerra contra a educação e a cultura palestina. IN Le Monde Diplomatique Brasil, edição 214, maio de 2025.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. 2ª ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013

ISHFAQ, Sarmad. Memoricídio: o apagamento da memória palestina pelo sionismo, IN Monitor do Oriente, edição de 13 de março de 2024. Disponível em https://www.monitordooriente.com/20240313-memoricidio-o-apagamento-da-memoria-palestina-pelo-sionismo. Acesso em 29 de julho de 2025.

ISHIBASHI, Simone. Estado de Israel e a luta palestina: origens e perspectivas. IN Revista PUCViva, jan-abr de 2009, ano 10, nº 34, p. 49-52.

KANAFANI, Ghassan. A revolta de 1936-1939 na Palestina. São Paulo: Sundermann, 2015.

MASALHA, Nur. Expulsão dos Palestinos: o conceito de “transferência” no pensamento político sionista – 1882-1948. São Paulo: Sundermann/Monitor do Oriente, 2021.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: n-1 edições, 2018.

MISLEH, Soraya. Palestina, uma identidade contra a ameaça de apagamento. IN Revista Monitor do Oriente, fevereiro de 2009.


[1] Faixa de Gaza (em árabe: قطاع غزة Qiṭāʿ Ġazzah) é um território palestino composto por uma estreita faixa de terra localizada na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio, que faz fronteira com o Egito no sudoeste (11 km) e com Israel no leste e no norte (51 km). O território tem 41 quilômetros de comprimento e apenas de 6 a 12 quilômetros de largura, com uma área total de 365 quilômetros quadrados. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Faixa_de_Gaza. Acesso em 12 de maio de 2025.

[2] Maio de 2025, mês em que se completam 77 anos da tragédia palestina provocada pela invasão de colonos judeus após a criação do Estado de Israel. O dia 15 de maio ficou conhecido como Nakba, que em árabe significa “a catástrofe”.

[3] Theodor Herzl (em hebraico: בנימין זאב — Benjamin Ze’ev, e em húngaro: Herzl Tivadar; Peste, 2 de maio de 1860 — Reichenau an der Rax, 3 de julho de 1904): jornalista judeu austro-húngaro que se tornou o fundador do moderno Sionismo político. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_Herzl. Acesso em 12 de Abril de 2024.

[4] Liras palestinas.

[5] Dunam, dönüm, dunum ou donum é uma unidade de área. Não é uma unidade do Sistema Internacional de Unidades. Originalmente, um dönüm (do turco otomano ﻕﻤﻨﺿ / dönmek, volta) era a quantidade de terra que um homem podia arar em um dia, o qual constituía uma quantidade de área que variava consideravelmente de um lugar a outro. Mas ainda se utiliza de maneira mais ou menos unificada em vários países que formaram parte do Império Otomano. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Dunam. Acesso em 14 de janeiro de 2025.

[6] Wadi’ al-Bustani (árabe وديع البستاني, DMG Wadīʿ al-Bustānī ; * 1886 em Dibbiye ; † 20 de janeiro de 1954) foi um poeta e tradutor libanês . Estudou na Universidade Americana de Beirute e tornou-se tradutor no consulado britânico em al-Hudaida (Iêmen). Estabeleceu-se em Jerusalém como advogado e em 1917 tornou-se funcionário da administração do mandato britânico. Tornou-se secretário da Terceira Delegação Árabe em Londres . Traduziu vários livros do inglês para o árabe, incluindo literatura sânscrita e poesia persa. Seus poemas estão reunidos no volume Falastiniyat. Também traduziu Trial and Error, de Chaim Weizmann, para o árabe. Disponível em https://de.wikipedia.org/wiki/Wadi_al-Bustani. Acesso em 25 de janeiro de 2025.

[7] Comunicado oficial datado de 2 de novembro de 1917, expressando apoio britânico ao “estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu”. A declaração foi comunicada em carta assinada pelo secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Arthur James Balfour, a Lionel Walter Rothschild (2º Batalhão Rothshild), líder da comunidade judaica britânica (MASALHA, 2021, p. 223)

[8] Ibrahim Touqan (em árabe ابراهيم طوقان‎; Nablus1905 – 2 de maio de 1941) foi um poeta nacionalista palestino, cuja obra inspirou os árabes da região da Palestina durante sua revolta contra os britânicos. Nasceu em Nablus, durante o domínio otomano. Era irmão da poetisa Fadwa Touqan, de quem foi tutor e que influenciou no interesse pela poesia. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibrahim_Touqan. Acesso em 15 de janeiro de 2025.

[9] Abd al-Karim al-Karmi (em árabe : عبد الكريم الكرمي), (1909–11 de outubro de 1980), conhecido como Abu Salma ( أبو سلمى ), foi um famoso poeta palestino e um dos poetas árabes, nasceu em Tulkarm e foi membro da Organização para a Libertação da Palestina . Ele recebeu vários prêmios e foi presidente da União Geral de Escritores e Jornalistas Palestinos até sua morte. Disponível em https://en.wikipedia.org/wiki/Abu_Salma. Acesso em 15 de janeiro de 2025.

[10] Abd al-Rahim Mahmud: Natural da cidade de Anabta, no distrito de Tulkarm, Abd al-Rahim Mahmoud foi apelidado de “O Poeta Mártir” após seu martírio em 13 de julho de 1948, durante a batalha de al-Shajara contra as forças sionistas. Mahmoud participou do movimento de resistência contra o colonialismo britânico durante a Grande Revolta Palestina antes de buscar refúgio no Iraque, onde se juntou ao Colégio Militar e se formou como tenente. Em 1941, Mahmoud se juntou à revolta de Rashid Ali al-Kilani. Após o colapso deste último, ele retornou à Palestina e trabalhou como professor no National Najah College e publicou seus poemas e artigos, especialmente no jornal al-Ittihad e na revista al-Ghadd , antes de se juntar ao Exército de Libertação Árabe  em janeiro de 1948. Disponível em https://www.palestine-studies.org/en/node/1651459. Acesso em 15 de janeiro de 2025.

[11] Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Deir_Yassin. Acesso em 28 de janeiro de 2025.

[12] Ariel Sharon (em hebraico: אריאל שרון em árabe: أرئيل شارون) foi um político e militar israelita que serviu como 11º Primeiro-Ministro de 2001 até 2006, quando ficou incapacitado por um acidente vascular cerebral. Comandou operações militares contra os povos árabes e palestino como a Crise do Suez, em 1956, a Guerra dos Seis Dias, de 1967, a Guerra de Desgaste, e a Guerra do Yom Kipur, de 1973. Como ministro da defesa, liderou a Guerra do Líbano de 1982. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Ariel_Sharon. Acesso em 28 de janeiro de 2025.

[13] Menachem Volfovich Begin (Brest-Litovsk16 de agosto de 1913 — Telaviv9 de março de 1992) foi um político israelense, fundador do Likud e o sexto primeiro-ministro de Israel, de 1977 a 1983.  Sua conquista mais significativa como primeiro-ministro foi a negociação e assinatura dos Acordos de Camp David com o presidente do Egito Anwar Al Sadat, pelo qual ambos receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1978. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Menachem_Begin. Acesso em 28 de janeiro de 2025.

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